TEMA: Guilherme de Ockham
Nossa aula foi:
2ºA,quarta-feira,
1 de abril de 2026 . Retomada, quarta-feira, 22 de abril de 2026.
2ºB,quarta-feira,
1 de abril de 2026 . Retomada, quarta-feira, 22 de abril de 2026.
2ºC,quarta-feira,
1 de abril de 2026 . Retomada, quarta-feira, 22 de abril de 2026.
EIXO TEMÁTICO
HABILIDADE NA BNCC
(EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO DC-GOEM
(GO-EMCHS104D) Investigar a dinâmica socioespacial e territorial da sociedade medieval, pontuando questões das mudanças na constituição do mapa europeu promovidas pelas cruzadas para ampliar o entendimento de toda particularidade do período medieval.
Compreender a filosofia política medieval por meio de seus principais filósofos Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino.
CONTEÚDO
Idade Média
METODOLOGIA:
Os objetivos da aula são:
Identificar as ideias centrais do pensamento de Guilherme de Ockham: valorização da experiência, recusa de abstrações metafísicas, separação entre fé e razão e defesa da autonomia do poder civil.
Compreender o sentido da “navalha de Ockham” como princípio de economia, isto é, a eliminação de pressupostos desnecessários.
Analisar como o texto relaciona experiência, conhecimento intuitivo e construção racional do saber.
Elaborar uma posição argumentativa, por escrito, sobre os limites da razão e o papel da experiência no conhecimento.
Para tanto, nos serviremos da seguinte estrutura de
aula:
Apresentar os objetivos da aula no quadro e explica que a leitura buscará responder à pergunta-problema: “Até onde a razão pode explicar a realidade, e quando ela encontra limites?”. Essa abertura ajuda a orientar a leitura com foco conceitual e investigativo.
Orientar a localização do texto e fazer uma leitura silenciosa individual, destacando no próprio material palavras ou expressões-chave, como: “fé”, “razão”, “experiência”, “singular”, “navalha de Ockham”, “autonomia do poder civil”. O procedimento favorece o contato direto com o texto e a identificação dos conceitos centrais.
Cada estudante responde individualmente, no caderno ou em ficha, a quatro comandos investigativos:
Localizar: copiar uma frase do texto que mostre a separação entre fé e razão.
Explicar: escrever com suas palavras o que significa a “navalha de Ockham”.
Relacionar: indicar como a experiência aparece como base do conhecimento em Ockham.
Posicionar-se: responder se a razão consegue explicar tudo, justificando em 3 a 5 linhas.
Essa proposta é ativa porque o aluno deixa de apenas ouvir explicações e passa a investigar, selecionar evidências, interpretar e argumentar individualmente. A BNCC enfatiza justamente investigação, reflexão, análise crítica e testagem de hipóteses como parte do trabalho pedagógico.
Conduzir a correção oral, retomando as respostas e organizando no quadro três eixos: fé e razão, experiência e conhecimento, economia das explicações. Nesse momento, esclarece que, para Ockham, a fé não é desprezada, mas separada do campo da demonstração racional, e que o conhecimento parte do contato com o singular e com a experiência.
Os estudantes elaboram uma frase-síntese ou um parágrafo curto respondendo: “Por que Ockham pode ser visto como um pensador importante para a valorização da experiência?”. O fechamento consolida a aprendizagem com produção autoral breve.
MATERIAL:
Moderna Plus Filosofia, pág. 26-29.
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA🎒
A avaliação será processual e formativa, considerando a participação na leitura, a identificação das ideias centrais, a qualidade das respostas na trilha investigativa e a síntese final escrita. A BNCC orienta que a avaliação considere processos e resultados, com registros que sirvam de referência para ajustar o trabalho pedagógico.
Instrumento sugerido: atividade individual escrita com 4 questões curtas
e 1 questão argumentativa.
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA FLEXIBILIZADA🎒
Para estudantes com déficit intelectual que sabem ler, a avaliação pode manter o mesmo conteúdo, mas com redução da complexidade, fragmentação das tarefas, vocabulário mais direto, apoio visual e modelagem, estratégias recomendadas em materiais sobre adaptação e flexibilização curricular para deficiência intelectual.
Proposta flexibilizada:
Entregar a atividade em fonte ampliada, com menos texto por item e maior espaçamento.
Dividir a avaliação em etapas curtas, com um objetivo por vez.
Destacar palavras-chave do texto e oferecer um exemplo resolvido antes das questões.
Utilizar questões objetivas e semiestruturadas, como associação e completamento, antes da questão aberta.
Nossa aula foi:
2ºA,
2ºB,
2ºC,
(EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
(GO-EMCHS104D) Investigar a dinâmica socioespacial e territorial da sociedade medieval, pontuando questões das mudanças na constituição do mapa europeu promovidas pelas cruzadas para ampliar o entendimento de toda particularidade do período medieval.
Compreender a filosofia política medieval por meio de seus principais filósofos Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino.
Idade Média
Os objetivos da aula são:
Identificar as ideias centrais do pensamento de Guilherme de Ockham: valorização da experiência, recusa de abstrações metafísicas, separação entre fé e razão e defesa da autonomia do poder civil.
Compreender o sentido da “navalha de Ockham” como princípio de economia, isto é, a eliminação de pressupostos desnecessários.
Analisar como o texto relaciona experiência, conhecimento intuitivo e construção racional do saber.
Elaborar uma posição argumentativa, por escrito, sobre os limites da razão e o papel da experiência no conhecimento.
Apresentar os objetivos da aula no quadro e explica que a leitura buscará responder à pergunta-problema: “Até onde a razão pode explicar a realidade, e quando ela encontra limites?”. Essa abertura ajuda a orientar a leitura com foco conceitual e investigativo.
Orientar a localização do texto e fazer uma leitura silenciosa individual, destacando no próprio material palavras ou expressões-chave, como: “fé”, “razão”, “experiência”, “singular”, “navalha de Ockham”, “autonomia do poder civil”. O procedimento favorece o contato direto com o texto e a identificação dos conceitos centrais.
Cada estudante responde individualmente, no caderno ou em ficha, a quatro comandos investigativos:
Localizar: copiar uma frase do texto que mostre a separação entre fé e razão.
Explicar: escrever com suas palavras o que significa a “navalha de Ockham”.
Relacionar: indicar como a experiência aparece como base do conhecimento em Ockham.
Posicionar-se: responder se a razão consegue explicar tudo, justificando em 3 a 5 linhas.
Essa proposta é ativa porque o aluno deixa de apenas ouvir explicações e passa a investigar, selecionar evidências, interpretar e argumentar individualmente. A BNCC enfatiza justamente investigação, reflexão, análise crítica e testagem de hipóteses como parte do trabalho pedagógico.
Conduzir a correção oral, retomando as respostas e organizando no quadro três eixos: fé e razão, experiência e conhecimento, economia das explicações. Nesse momento, esclarece que, para Ockham, a fé não é desprezada, mas separada do campo da demonstração racional, e que o conhecimento parte do contato com o singular e com a experiência.
Os estudantes elaboram uma frase-síntese ou um parágrafo curto respondendo: “Por que Ockham pode ser visto como um pensador importante para a valorização da experiência?”. O fechamento consolida a aprendizagem com produção autoral breve.
Moderna Plus Filosofia, pág. 26-29.
A avaliação será processual e formativa, considerando a participação na leitura, a identificação das ideias centrais, a qualidade das respostas na trilha investigativa e a síntese final escrita. A BNCC orienta que a avaliação considere processos e resultados, com registros que sirvam de referência para ajustar o trabalho pedagógico.
Para estudantes com déficit intelectual que sabem ler, a avaliação pode manter o mesmo conteúdo, mas com redução da complexidade, fragmentação das tarefas, vocabulário mais direto, apoio visual e modelagem, estratégias recomendadas em materiais sobre adaptação e flexibilização curricular para deficiência intelectual.
Entregar a atividade em fonte ampliada, com menos texto por item e maior espaçamento.
Dividir a avaliação em etapas curtas, com um objetivo por vez.
Destacar palavras-chave do texto e oferecer um exemplo resolvido antes das questões.
Utilizar questões objetivas e semiestruturadas, como associação e completamento, antes da questão aberta.
https://www.youtube.com/watch?v=R32Be84c7VI
Guilherme de Ockham: a separação entre fé e razão
1. Quanto a Guilherme de Ockham, os aspectos principais de seu pensamento consistiam na valorização da experiência e do conhecimento dos seres individuais, na recusa de abstrações metafísicas e na defesa da separação entre fé e razão. Segundo o filósofo:
Os artigos de fé não são princípios de demonstração nem conclusões, e nem mesmo prováveis, já que parecem falsos para todos, ou para a maioria ou para os sábios, entendendo por sábios os que se entregam à razão natural, já que só de tal modo se entende o sábio na ciência e na filosofia (OCKHAM, Guilherme de. In: REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: patrística e escolástica. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 299. v. 2).
2.
Separar o plano da razão e o da fé não significava desprezar a existência de
Deus, mas recusar a pretensão da razão de demonstrar verdades que só devem ser
acessíveis pela fé. Ockham opunha-se tanto às abstrações metafísicas de
Aristóteles quanto às adequações cristãs levadas a cabo por Tomás de Aquino.
3. Ao
recusar abstrações metafísicas, por serem dispensáveis, o filósofo tornou-se
conhecido pela expressão "navalha de Ockham" ou "princípio da
economia". De acordo com esse princípio, devem ser eliminados, em virtude
de sua inutilidade, pressupostos ou postulados admitidos sem necessidade. Ao
repelir abstrações inúteis, o pensamento de Ockham estava de acordo com a nova
visão de ciência, primando pela experiência.
4. Do
ponto de vista político, Guilherme de Ockham era contra a interferência da
Igreja em assuntos seculares e defendia a autonomia do poder civil em relação
ao poder religioso. Acusado de heresia, Ockham refugiou-se no palácio do
imperador Ludovico da Baviera, que, segundo consta, teria dito a ele: "Tu
defendes minha espada, eu defendo tua pena [de escrever]", em que a espada
representa o poder secular e a pena, a liberdade de expressão.
A
importância da experiência para Guilherme de Ockham
5. Os textos a seguir se referem a aspectos da teoria do conhecimento de Guilherme de Ockham. No primeiro, extraído do romance O nome da rosa, de Umberto Eco, lemos algumas falas do protagonista, um frade franciscano chamado Guilherme de Baskerville, com seu pupilo Adso de Melk (o narrador) sobre um tipo de observação semelhante àquela que se tornou relevante para a noção de ciência experimental. No segundo texto, a professora italiana Paola Müller explica a importância da experiência direta para a construção do conhecimento, segundo a teoria de Ockham.
TEXTO
1
"Diante de alguns fatos inexplicáveis, deves tentar imaginar muitas leis gerais, em que não vês ainda a conexão com os fatos de que estás te ocupando: e de repente, na conexão imprevista de um resultado, um caso e uma lei, esboça-se um raciocínio que te parece mais convincente do que os outros. Experimentas aplicá-lo em todos os casos similares, usá-lo para daí obter previsões, e descobres que adivinhaste. Mas até o fim não ficarás nunca sabendo quais predicados introduzir no teu raciocínio e quais deixar de fora. E assim faço eu agora. Alinho muitos elementos desconexos e imagino as hipóteses. Mas preciso imaginar muitas delas, e numerosas delas são tão absurdas que me envergonharia de contá-las. Vê, no caso do cavalo Brunello, quando vi as pegadas, eu imaginei muitas hipóteses complementares e contraditórias: podia ser um cavalo em fuga, podia ser que montado naquele belo cavalo o abade tivesse descido pelo declive, podia ser que um cavalo Brunello tivesse deixado os sinais sobre a neve e um outro, cavalo Favello, no dia anterior, as crinas na moita, e que os ramos tivessem sido partidos por homens. Eu não sabia qual era a hipótese correta até que vi o despenseiro e os servos que procuravam ansiosamente. Então compreendi que a hipótese de Brunello era a única boa, e tentei provar se era verdadeira, apostrofando os monges como fiz. Venci, mas também poderia ter perdido. Os outros consideraram-me sábio porque venci, mas não conheciam os muitos casos em que fui tolo porque perdi, e não sabiam que poucos segundos antes de vencer, eu não estava certo de não ter perdido. Agora, nos casos da abadia, tenho muitas belas hipóteses, mas não há nenhum ato evidente que me permita dizer qual seja a melhor. E então, para não parecer tolo mais tarde, renuncio a ser astuto agora. Deixa-me pensar mais, até amanhã, pelo menos."
Entendi naquele momento qual era o modo de raciocinar do meu mestre, e pareceu-me demasiado diferente daquele do filósofo que raciocina sobre os princípios primeiros, tanto que o seu intelecto assume quase os modos do intelecto divino. Compreendi que, quando não tinha uma resposta, Guilherme se propunha muitas delas e muito diferentes entre si. Fiquei perplexo. "Mas então," ousei comentar, "estais ainda longe da solução..." "Estou pertíssimo," disse Guilherme, "mas não sei de qual." "Então não tendes uma única resposta para vossas perguntas?" "Adso, se a tivesse ensinaria teologia em Paris." "Em Paris eles têm sempre a resposta verdadeira?" "Nunca," disse Guilherme, "mas são muito seguros de seus erros." "E vós," disse eu com impertinência infantil, "nunca cometeis erros?" "Frequentemente," respondeu. "Mas ao invés de conceber um único erro, imagino muitos, assim não me torno escravo de nenhum" (ECO, Umberto. O nome da rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983. p. 350-351).
TEXTO 2
A rigorosa defesa da singularidade do real, do indivíduo como única realidade concreta, a tendência a fundamentar a validade do conhecimento sobre a experiência direta, a formulação e aplicação do princípio de economia, e ainda a separação entre o âmbito da experiência religiosa e o âmbito do saber racional, isto é, entre a fé e a razão, levaram Ockham a afirmar a autonomia e a independência do poder civil ante o espiritual e a exigir uma profunda transformação dentro da Igreja. [...] Partindo do Comentário às sentenças, a primeira e fundamental obra de Ockham, podem ser encontradas as suas principais doutrinas filosóficas e teológicas. A primeira questão do "Prólogo" – "se a inteligência do homem, ainda não admitido à visão beatífica, pode ter um conhecimento evidente da verdade teológica" – permite enfrentar o problema do conhecimento. O conhecimento humano, que tem origem no contato, direto ou indireto, com um dado da experiência, pode ser intuitivo ou abstrativo. O conhecimento intuitivo, segundo Ockham, indica o ato da intuição intelectiva, graças ao qual o intelecto se põe em contato com a realidade, referindo-se imediatamente à existência de um ser concreto. Tal conhecimento permite formular juízos de existência relativamente aos objetos conhecidos; é a apreensão imediata de um existente concreto e singular. Por exemplo, eu apanho intuitivamente um livro da escrivaninha e posso afirmar: "O livro existe". Isso implica que o conhecimento intuitivo precede qualquer outra forma de conhecimento e constitui inclusive a sua fonte. De fato, [...] não é possível ter ulteriores conhecimentos com respeito a um objeto, se antes não se teve conhecimento dele. O conhecimento intuitivo, que se refere tanto à realidade extramental quanto aos atos psíquicos, pode ser perfeito, quando tem por objeto uma realidade atual e presente, ou imperfeito, quando examina uma proposição ou objeto em relação ao passado, não implicando, pois, a presença atual do objeto conhecido. Além disso, o conhecimento pode ser sensível ou intelectual: o intelecto pode conhecer intuitivamente, sejam as realidades singulares que são objeto do conhecimento sensível – visto que, se não as conhecesse, não poderia formular nenhum juízo determinado –; sejam os próprios atos e todos os movimentos imediatos do espírito, como o prazer e a dor. [...] Qual é, porém, o objeto primeiro do intelecto? Ockham afirma que o primum cognitum pode ser entendido de três maneiras: relativamente à prioridade de origem, com respeito à prioridade da adequação e em relação à prioridade de perfeição. O objeto primeiro do intelecto quanto à origem é o singular, que é primariamente captado através da intuição. O conhecimento intuitivo, que precede qualquer outro conhecimento, inicia com uma intuição do particular. [...] O objeto primeiro com respeito à adequação, isto é, à capacidade de um conceito de ser comum ao conjunto dos inteligíveis, é o ente, como conceito unívoco generalíssimo. A noção de ente permite ao intelecto entrar em contato com os demais objetos conhecíveis, sem que isso implique o necessário conhecimento de cada inteligível por parte do intelecto. [...] O objeto primeiro do intelecto quanto à perfeição é Deus. [...] (MÜLLER, Paola. Introdução. In: OCKHAM, Guilherme de. Lógica dos termos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999. p. 17-19).
Guilherme de Ockham: a separação entre fé e razão
1. Quanto a Guilherme de Ockham, os aspectos principais de seu pensamento consistiam na valorização da experiência e do conhecimento dos seres individuais, na recusa de abstrações metafísicas e na defesa da separação entre fé e razão. Segundo o filósofo:
Os artigos de fé não são princípios de demonstração nem conclusões, e nem mesmo prováveis, já que parecem falsos para todos, ou para a maioria ou para os sábios, entendendo por sábios os que se entregam à razão natural, já que só de tal modo se entende o sábio na ciência e na filosofia (OCKHAM, Guilherme de. In: REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: patrística e escolástica. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 299. v. 2).
5. Os textos a seguir se referem a aspectos da teoria do conhecimento de Guilherme de Ockham. No primeiro, extraído do romance O nome da rosa, de Umberto Eco, lemos algumas falas do protagonista, um frade franciscano chamado Guilherme de Baskerville, com seu pupilo Adso de Melk (o narrador) sobre um tipo de observação semelhante àquela que se tornou relevante para a noção de ciência experimental. No segundo texto, a professora italiana Paola Müller explica a importância da experiência direta para a construção do conhecimento, segundo a teoria de Ockham.
"Diante de alguns fatos inexplicáveis, deves tentar imaginar muitas leis gerais, em que não vês ainda a conexão com os fatos de que estás te ocupando: e de repente, na conexão imprevista de um resultado, um caso e uma lei, esboça-se um raciocínio que te parece mais convincente do que os outros. Experimentas aplicá-lo em todos os casos similares, usá-lo para daí obter previsões, e descobres que adivinhaste. Mas até o fim não ficarás nunca sabendo quais predicados introduzir no teu raciocínio e quais deixar de fora. E assim faço eu agora. Alinho muitos elementos desconexos e imagino as hipóteses. Mas preciso imaginar muitas delas, e numerosas delas são tão absurdas que me envergonharia de contá-las. Vê, no caso do cavalo Brunello, quando vi as pegadas, eu imaginei muitas hipóteses complementares e contraditórias: podia ser um cavalo em fuga, podia ser que montado naquele belo cavalo o abade tivesse descido pelo declive, podia ser que um cavalo Brunello tivesse deixado os sinais sobre a neve e um outro, cavalo Favello, no dia anterior, as crinas na moita, e que os ramos tivessem sido partidos por homens. Eu não sabia qual era a hipótese correta até que vi o despenseiro e os servos que procuravam ansiosamente. Então compreendi que a hipótese de Brunello era a única boa, e tentei provar se era verdadeira, apostrofando os monges como fiz. Venci, mas também poderia ter perdido. Os outros consideraram-me sábio porque venci, mas não conheciam os muitos casos em que fui tolo porque perdi, e não sabiam que poucos segundos antes de vencer, eu não estava certo de não ter perdido. Agora, nos casos da abadia, tenho muitas belas hipóteses, mas não há nenhum ato evidente que me permita dizer qual seja a melhor. E então, para não parecer tolo mais tarde, renuncio a ser astuto agora. Deixa-me pensar mais, até amanhã, pelo menos."
Entendi naquele momento qual era o modo de raciocinar do meu mestre, e pareceu-me demasiado diferente daquele do filósofo que raciocina sobre os princípios primeiros, tanto que o seu intelecto assume quase os modos do intelecto divino. Compreendi que, quando não tinha uma resposta, Guilherme se propunha muitas delas e muito diferentes entre si. Fiquei perplexo. "Mas então," ousei comentar, "estais ainda longe da solução..." "Estou pertíssimo," disse Guilherme, "mas não sei de qual." "Então não tendes uma única resposta para vossas perguntas?" "Adso, se a tivesse ensinaria teologia em Paris." "Em Paris eles têm sempre a resposta verdadeira?" "Nunca," disse Guilherme, "mas são muito seguros de seus erros." "E vós," disse eu com impertinência infantil, "nunca cometeis erros?" "Frequentemente," respondeu. "Mas ao invés de conceber um único erro, imagino muitos, assim não me torno escravo de nenhum" (ECO, Umberto. O nome da rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983. p. 350-351).
A rigorosa defesa da singularidade do real, do indivíduo como única realidade concreta, a tendência a fundamentar a validade do conhecimento sobre a experiência direta, a formulação e aplicação do princípio de economia, e ainda a separação entre o âmbito da experiência religiosa e o âmbito do saber racional, isto é, entre a fé e a razão, levaram Ockham a afirmar a autonomia e a independência do poder civil ante o espiritual e a exigir uma profunda transformação dentro da Igreja. [...] Partindo do Comentário às sentenças, a primeira e fundamental obra de Ockham, podem ser encontradas as suas principais doutrinas filosóficas e teológicas. A primeira questão do "Prólogo" – "se a inteligência do homem, ainda não admitido à visão beatífica, pode ter um conhecimento evidente da verdade teológica" – permite enfrentar o problema do conhecimento. O conhecimento humano, que tem origem no contato, direto ou indireto, com um dado da experiência, pode ser intuitivo ou abstrativo. O conhecimento intuitivo, segundo Ockham, indica o ato da intuição intelectiva, graças ao qual o intelecto se põe em contato com a realidade, referindo-se imediatamente à existência de um ser concreto. Tal conhecimento permite formular juízos de existência relativamente aos objetos conhecidos; é a apreensão imediata de um existente concreto e singular. Por exemplo, eu apanho intuitivamente um livro da escrivaninha e posso afirmar: "O livro existe". Isso implica que o conhecimento intuitivo precede qualquer outra forma de conhecimento e constitui inclusive a sua fonte. De fato, [...] não é possível ter ulteriores conhecimentos com respeito a um objeto, se antes não se teve conhecimento dele. O conhecimento intuitivo, que se refere tanto à realidade extramental quanto aos atos psíquicos, pode ser perfeito, quando tem por objeto uma realidade atual e presente, ou imperfeito, quando examina uma proposição ou objeto em relação ao passado, não implicando, pois, a presença atual do objeto conhecido. Além disso, o conhecimento pode ser sensível ou intelectual: o intelecto pode conhecer intuitivamente, sejam as realidades singulares que são objeto do conhecimento sensível – visto que, se não as conhecesse, não poderia formular nenhum juízo determinado –; sejam os próprios atos e todos os movimentos imediatos do espírito, como o prazer e a dor. [...] Qual é, porém, o objeto primeiro do intelecto? Ockham afirma que o primum cognitum pode ser entendido de três maneiras: relativamente à prioridade de origem, com respeito à prioridade da adequação e em relação à prioridade de perfeição. O objeto primeiro do intelecto quanto à origem é o singular, que é primariamente captado através da intuição. O conhecimento intuitivo, que precede qualquer outro conhecimento, inicia com uma intuição do particular. [...] O objeto primeiro com respeito à adequação, isto é, à capacidade de um conceito de ser comum ao conjunto dos inteligíveis, é o ente, como conceito unívoco generalíssimo. A noção de ente permite ao intelecto entrar em contato com os demais objetos conhecíveis, sem que isso implique o necessário conhecimento de cada inteligível por parte do intelecto. [...] O objeto primeiro do intelecto quanto à perfeição é Deus. [...] (MÜLLER, Paola. Introdução. In: OCKHAM, Guilherme de. Lógica dos termos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999. p. 17-19).
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